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Estivemos "fora do ar" estes dias em função de um "mix" de trabalho, carnaval e nossos recorrentes problemas com o Terra. Os dois primeiros fatos podem ser superados com um pouco de esforço motivado pelo prazer de manter este canal de comunicação, mas o Terra continua nos impedindo de publicar fotos com a mensagem: "Você não pode enviar arquivos. Cota excedida", apesar de sua propaganda dizer que "não há limite de espaço". Como não há um meio de comunicação direta com eles... Bem, vamos começar a pensar em mudar de endereço... afinal, não tem sentido manter um blog sobre fotografia sem imagens.
Me desculpo com nossos leitores e nossos colaboradores, mas tão logo resolvamos este problema, todos serão comunicados da solução.
Matéria obtida no site G1: http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL957471-16108,00.html
"15/01/09 - 17h02 - Atualizado em 15/01/09 - 17h02
Foto oficial de presidente dos EUA é feita pela primeira vez com câmera digital.
Imagem foi registrada pelo fotógrafo Pete Souza.
Barack Obama toma posse na próxima terça-feira (20).
Da France Presse "

Foto oficial de Barack Obama na Presidência dos Estados Unidos. Tirada por Pete Souza, é a primeira da história a ser feita com tecnologia digital. (Foto: AFP)
É sempre polêmico falar do papel do fotojornalismo como narrador imparcial dos fatos, aliás, é sempre polêmico falar de imparcialidade. Mas vamos colocar um pouco mais de lenha nesta fogueira reproduzindo o texto de Paulo Nassar publicado no site do Observatório da Imprensa (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br):
"IMAGEM & SEMELHANÇA
As fotos e os fatos
Por Paulo Nassar em 6/1/2009
A história do fotojornalismo é quase um relato cotidiano de tensão entre a imagem produzida no contexto de um acontecimento e a propaganda. Tensão que transforma a produção, a utilização e o uso da imagem de desgraças, em componentes de um processo político, que sabemos cada dia mais teatralizado, e que tem aumentado a desconfiança social em relação às representações que chegam até nós por meio de inúmeras mídias, cada dia mais contaminadas por missões propagandísticas. A produção fotojornalística originária de conflitos como o que envolve atualmente Israel e o Hamas nos fornece bons exemplos da complexa relação entre jornalismo e propaganda ideológica.
Neste contexto, o leitor geralmente não detecta a produção e o uso propagandístico do fotojornalismo, isso em virtude de sua natureza carregada de um apregoado realismo que esconde que esse tipo de produção é mediado por um autor, que geralmente assina as fotos, pressionado, como qualquer um de nós, por responsabilidades, autoridade, valores e interesses. E, muitas vezes, protagonista do acontecimento narrado pelo seu trabalho.
No ambientes conflagrados das guerras é quase impossível separar o fotógrafo, a sua visão de mundo e o seu protagonismo, de seu trabalho. Diante disso, a mídia democrática deveria, tal qual faz com aqueles que produzem o jornalismo interpretativo e opinativo, identificar o fotógrafo e as sua visão de mundo.
Sobre a produção fotográfica e suas influências, Boris Kossoy, professor da ECA-USP, em seu livro Fotografia & História, chama a atenção sobre "a deformação intencional dos assuntos através das possibilidades de efeitos ópticos e químicos, assim como a abstração, montagem e alteração visual da ordem das coisas, a criação enfim de novas realidades têm sido exploradas constantemente pelos fotógrafos".
A partir desta perspectiva apresentada por Kossoy, as fotografias podem ser construídas a partir de "uma proposta dramática, psicológica, surrealista, romântica, política, caricaturesca etc". Estas possibilidades de construção apontam que "qualquer que seja o assunto registrado na fotografia, esta também documentará a visão de mundo do fotógrafo. A fotografia é, pois, um duplo testemunho: por aquilo que ela nos mostra da cena passada, irreversível, ali congelada fragmentariamente, e por aquilo que nos informa acerca de seu autor".
Proximidade e distanciamento
Como exemplo, Robert Capa – o célebre autor da foto "Muerte de un soldado republicano", produzida no ambiente da guerra civil espanhola, em 1936, e da foto Dia D, de 1944 – destacava o caráter missionário e de testemunho político destes tipos de produções. Foi Capa que afirmou: "Se as suas fotos não suficientemente boas, é que você não está suficientemente perto". Este tipo de proximidade do objeto a ser fotografado levou Capa à morte em 1954, em Thai-Binh, no Vietnã.
A proximidade dos acontecimentos pode levar a captura do instantâneo que pode representar com grandeza uma narrativa histórica. Capa adotou a proximidade como método. O perigo é que a proximidade dos acontecimentos pode também levar a perda de um distanciamento necessário para a produção de um jornalismo por meio de imagens. O jornalismo e seus meios quando perdem o distanciamento, quando se torna protagonista, se transforma em propaganda. A foto "Muerte de un soldado republicano", de Capa, é objeto de muita controvérsia. As dúvidas sobre a veracidade do instantâneo de Capa partem principalmente daqueles que não gostavam da visão de mundo do fotógrafo.
Harold E. Edgerton tem também a sua célebre fotografia "Dia V", de 1945 – belíssimo registro de um beijo para lá de quente, capturado durante o desfile comemorativo da vitória na Segunda Guerra Mundial dos marines norte-americanos, em Times Square, Nova York – colocada também entre os trabalhos questionados em seu status de instantâneo jornalístico.
Vale destacar que os trabalhos de Capa, citados neste texto, exaltam, por sua epidérmica proximidade com os acontecimentos, o sacrifício dos soldados fotografados e de maneira indivisível o do próprio fotógrafo. O trabalho de Edgerton expressa um projeto de dias felizes para os humanos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Programa de propaganda amplamente trabalhado pela máquina norte-americana de comunicação no ambiente da Guerra Fria.
Nos dias atuais, no vale e tudo das guerras e das violências urbanas, as imagens jornalísticas de destruição de corpos humanos, de suas casas e de suas cidades produzidas em escala industrial trazem em sua construção propostas de seus autores, que democraticamente deveriam ser expressas para os leitores – cada vez mais transformados em uma massa dócil e contemplativa (por meio do registro fotográfico e da produção audiovisual) das ações desencadeadas por chefes políticos e senhores das guerras, que manipulam símbolos e alegorias também como armas em suas estratégias criadas a partir de interesses políticos e econômicos.
As bandeiras de Delacroix, Reichstag, Iwo Jima e Hamas.
As edições de 1º de janeiro da Folha de S.Paulo e de O Estado de S.Paulo trazem uma foto de Mohammed Saber, da agência EFE , publicada ao lado das manchetes principais das duas publicações que relatavam naquele dia os acontecimentos em Gaza. É uma foto dramática, cenográfica, que mostra um palestino colocando uma bandeira esfarrapada do Hamas no alto de escombros ao lado de uma mesquita em Gaza. Reforçando o que se vê na foto de Saber, a palavra destruição faz parte das legendas da Folha e do Estado. A imagem claramente revela a proposta política de seu autor e não há nada de errado nisso. O problema jornalístico que se coloca para os editores dos jornais paulistanos e para os seus leitores é que nada sabemos do que imediatamente está fora da foto. Em assuntos complexos como o de Gaza, os relatos fotográficos não deveriam ser tratados apenas a partir do que se vê dentro de uma moldura, apenas dentro de um enquadramento e de uma edição que privilegia o mundo visto e analisado em partes.
São inúmeras as questões geradas por fotos em ambiente de conflito, coincidentemente tendo bandeiras como protagonistas fundamentais na narrativa de vitória e resistência. Fotografias guerreiras que parecem beber a sua influência cenográfica na conhecida pintura de Eugène Delacroix, La Liberté guidant le peuple, de 1830, onde a bandeira francesa tremula sobre os vivos e os mortos.
Um exemplo clássico deste tipo de narrativa visual intencionalmente dramatizada é a foto de Joe Rosenthal, na qual militares norte-americanos do 28º regimento erguem a bandeira norte-americana no alto do monte Suribachi, na ilha japonesa de Iwo Jima. O que foi apresentado ao mundo como fotojornalismo era uma peça de propaganda. O assunto foi trabalhado em um dos últimos filmes de Clint Eastwood. Outro exemplo de manipulação é a foto de soldados soviéticos içando, em 30 de abril de 1945, a bandeira da União Soviética no alto do edifício do Reichstag em Berlim. Ela também uma eficaz produção de propaganda travestida de fotojornalismo para ser usada nos embates da Guerra Fria. "
A fotografia sempre foi motivo de discussões e polêmicas. Vejam este texto de Leneide Duarte-Plon, publicado no site do "Observatório da Imprensa" (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/index.asp) :
"FOTOJORNALISMO & ÉTICA
Fotografias controvertidas
Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 30/9/2008
Controverses, une histoire juridique et éthique de la photographie, Daniel Girardin e Christian Pirker
A fotografia no fotojornalismo, como na publicidade, não é unívoca. Ao contrário, ela pode ser fonte de diversas interpretações, dependendo do olho e do julgamento de quem vê e, por isso, pode gerar polêmicas e suscitar problemas jurídicos e éticos. Sobretudo quando se trata de fotojornalismo.
É o que mostra o livro Controverses, une histoire juridique et éthique de la photographie. A obra é o resumo da exposição do mesmo nome, que reuniu oitenta imagens polêmicas e ficou em exibição em Lausanne no primeiro semestre deste ano. O trabalho é fruto de muitos meses de pesquisa de um historiador da arte e de um advogado, Daniel Girardin e Christian Pirker, que resolveram contar a história de uma série de fotos polêmicas no fotojornalismo e na publicidade.
Entre as dezenas de histórias surpreendentes que o livro conta, envolvendo fotojornalistas, criticados muitas vezes pelo voyeurismo ou pela passividade, uma das mais impressionantes é a do fotógrafo Kevin Carter, que não resistiu à pressão que se seguiu à publicação de sua foto e acabou se suicidando. O que fez Carter se suicidar? Em 1993, esse repórter sul-africano de 33 anos vai ao Sudão fotografar a epidemia de fome e faz a foto de uma menininha prostrada com a cabeça no solo, espiada de perto por uma ave de rapina. Em seguida, Kevin Carter espantou a ave, espécie de urubu, e desabou num choro desesperado. A imagem foi publicada no dia 26 de março de 1993, no New York Times. O jornal recebeu uma torrente de cartas inquirindo sobre o destino da menininha. O editorial responde que o fotógrafo não sabia informar. Carter começa a receber telefonemas durante a noite dizendo que o abutre é ele.
Teoria do complô
Em 1994, Kevin Carter recebe o prêmio Pulitzer por essa imagem. Ele se suicida dois meses depois deixando uma carta: "Vivo obcecado pelas lembranças persistentes de massacres, de cadáveres, de ódio, de sofrimento, de crianças famintas ou feridas, de atiradores enlouquecidos." O filosofo francês Jean Baudrillard criticou violentamente no jornal Le Monde, em 2003, a foto de imprensa: "Há uma forma de assassinato no fotojornalismo. Nunca se poderá pagar a dívida a todas essas pessoas que morrem de fome e dão suas imagens aos fotógrafos de imprensa."
Até a foto feita por um astronauta de outro astronauta no solo lunar está entre as fotos controvertidas. Quem não conhece a história? A famosa foto divulgada pela Nasa do astronauta Neil Armstrong andando na lua em 20 de julho de 1969, tirada por seu companheiro de viagem Buzz Aldrin com uma Hasselblad seria um fake que colocaria em questão a própria a viagem do homem à lua. A história é tão mirabolante que vale a pena ser contada: o cientista autodidata Ralph René escreveu em um livro de 1992 que a bandeira americana se move ao vento em um espaço onde a atmosfera não existe. Tem mais: o fotógrafo David Percy analisa as anomalias dessas fotografias divulgadas pela Nasa. Segundo ele, existem diversas fontes de iluminação na foto, não há cratera sob o reator do módulo e nem poeira sobre os equipamentos. Além disso, segundo ele, a luz solar é difundida uniformemente em todo o espaço, como na atmosfera terrestre. Esses são alguns dos argumentos que alimentam a teoria do complô, segundo a qual a Nasa teria enganado o mundo inteiro, simulando em estúdio, ou nos desertos americanos, as expedições lunares.
Ação de um milhão de dólares
Há quem jure que Stanley Kubrick realizou essas imagens falsas para obter como empréstimo a sofisticada câmera da Nasa que lhe permitiu filmar cenas noturnas de Barry Lyndon sem luz artificial.
As outras fotos polêmicas – que datam do início da era da fotografia até hoje – são acompanhadas de um texto que esclarece o tipo de conflito jurídico ou ético que elas geraram. Por exemplo, a famosa foto de Oliviero Toscani realizada para a marca de roupas Benetton em que um homem vestido de padre beija uma jovem vestida de freira. Como toda a obra de Toscani, a foto foi concebida para gerar polêmica. E gerou.
Outra famosa foto, a da atriz americana Brooke Shields dentro de uma banheira aos 10 anos, fotografada pelo fotógrafo Garry Gross, também é analisada no livro. Em 1981, a mãe da atriz, que fez o filme de Louis Malle Pretty baby aos 13 anos, resolve proibir a divulgação das imagens de sua filha nua na banheira com ar lânguido. A mãe da garota tentou comprar os direitos da foto de volta e depois entrou com uma ação na justiça contra o fotógrafo reclamando um milhão de dólares. Mas como ela tinha assinado um contrato com Gross dando-lhe os direitos sobre as imagens, a justiça deu ganho da causa a ele. Ela recorre e a corte suprema confirma o julgamento.
Interpretação de pedofilia
Brooke Shields faz um terceiro processo alegando que as imagens trazem prejuízo à sua vida privada. Gross ganha novamente. Em 1992, o artista plástico americano Richard Prince compra de Gross o direito de usar a imagem retrabalhada. Prince vende seu trabalho na Christie´s por 151 mil dólares e Gross entra com um processo contra ele por não ter tido seu nome mencionado.
Como se tivesse sido feita para gerar polêmica, a foto de Garry Gross foi enviada para a exposição "Controverses" ao Musée de l´Elysée (de Lausanne) e ficou retida por alguns dias pela alfândega francesa em razão de sua carga erótica e de uma possível interpretação de pedofilia que pode sugerir.
Foi liberada para a exposição e escapou por pouco de uma apreensão definitiva! "

Este texto de Leneide Duarte-Plon, publicado no site do Observatório da Imprensa (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br), reaviva o debate sobre a fotografia como arma de propaganda. Leiam.
O PODER DAS IMAGENS
As fotos polêmicas de Paris ocupada
Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 30/4/2008
Revisionismo histórico através de imagens edulcoradas ou imagens raras e preciosas de uma época pobre em fotos coloridas?
Pode-se fazer uma exposição de fotos de uma Paris bela, quase normal, quando alguns franceses arriscavam a vida na resistência clandestina?
Pode-se mostrar Paris em 1941, sob ocupação nazista, como se fosse uma cidade descontraída, uma Paris de cartão postal, com elegantes nas corridas de cavalo de Auteuil e o cotidiano normal de bairros chiques como o Champs Elysées ou populares como o mercado Les Halles?
Uma imagem vale mais que mil palavras, segundo o velho refrão. Foi por isso que a ambigüidade de algumas fotos coloridas explodiu como uma bomba nesta primavera parisiense, dando origem a um debate intenso sobre o poder da fotografia e sua relação com o real.
A exposição "Des Parisiens sous l´Occupation" (Parisienses sob a Ocupação) é a primeira de fotos de André Zucca (1897-1973) na França. O próprio nome já foi mudado por causa do debate suscitado. A mostra se chamava "Les Parisiens sous l´Occupation" (Os parisienses sob a Ocupação), o que já parecia uma intenção de mostrar que ali se viam não alguns, mas os parisienses em geral.
Escolhidos a dedo
As belas fotos coloridas que deram origem à acalorada polêmica na imprensa envolvendo jornalistas e intelectuais mostram pessoas que entram e saem do metrô, freqüentam cinemas e bebem nas varandas dos cafés. Ao mesmo tempo, elas ocultam a trágica realidade dos resistentes torturados e mortos, os horrores da guerra, a perseguição dos judeus. Há apenas duas fotos em que são vistos um homem e uma mulher com a estrela amarela no peito, caminhando pelas ruas do Marais, tradicional bairro judeu, onde fica a Biblioteca Histórica da Cidade de Paris que desde março expõe as 270 fotos de Zucca.
Os críticos da exposição concordam com o valor documental das fotos, mas defendem que sejam mostradas acompanhadas de debates e conferências em torno do uso da imagem de propaganda durante a guerra. Para informar e deixar claro que as fotos de Zucca foram encomendadas pelos nazistas para publicação na revista alemã Signal, célebre pela qualidade da fotografia, mas acabaram não sendo publicadas. Isto para que não haja dúvida de que são fotos de propaganda, já que a revista era diretamente ligada a Joseph Goebbels. E para que não se pense que são de um fotógrafo que passeava por Paris fotografando o cotidiano da cidade.
A prefeitura organizou imediatamente debates e conferências públicas em torno do tema da comunicação visual e da fotografia de propaganda.
Por saberem o valor das imagens, os alemães controlavam estreitamente as ruas. O "privilégio" de fotografar a cidade era dado a fotógrafos escolhidos a dedo. As fotos em preto e branco dessa época, pouco numerosas, foram feitas por fotógrafos sob estreito controle. E os caros filmes Agfacolor, ainda mais raros, eram fornecidos somente a poucos fotógrafos credenciados, como Zucca.
Colaboracionismo e Pétain
A França ainda não acabou de ajustar contas com o passado ligado à Ocupação alemã e ao colaboracionismo com o ocupante nazista, simbolizado pelo general Henri Philippe Pétain (1856-1951). A prova disso é a exposição de Zucca.
As fotos têm grande valor histórico. Mas expostas com pouco texto e legendas sucintas geraram mal-estar e críticas, pois mostram uma cidade ocupada que parece descontraída e elegante com um invasor poderoso mas em nenhum momento brutal. Onde está o ocupante que se vê no cinema, representado por bestas-feras violentas e arrogantes?
Algumas fotos mostram os soldados alemães, mas o que se vê é uma ocupação light, com tropas descendo a Avenida Champs Elysées depois da troca diária da guarda do Arco do Triunfo, a Rue de Rivoli enfeitada com a bandeira do Reich, ou ainda soldados misturados aos civis franceses fazendo compras no Mercado das Pulgas.
Foram essas imagens de uma vida quase normal que chocaram e abriram o debate. O mal-estar foi causado por fotos pretensamente documentais feitas, na realidade, por um fotógrafo colaboracionista.
A viúva do filho de Zucca, Sylvie Zucca, chegou a dizer a um jornal que seu marido pensava que o pai "era mitômano e anti-semita".
André Zucca foi um dos mais ativos fotógrafos da imprensa de antes da guerra e trabalhou como repórter especial de grandes revistas como Life e Paris-Match. Ele cobriu o início da guerra para France-Soir.
No fim da guerra, Zucca foi julgado por colaboração com o ocupante mas não foi condenado à morte, como tantos outros colaboracionistas notórios. Mudou de nome, de cidade e morreu longe de Paris.